A perda da vovó...
Poderemos escolher o momento de se tornar mãe ou pai, mas o de se tornar avô ou avó já não pode ser uma opção. Mesmo não nascendo de uma escolha pessoal, a relação que surge entre avós e netos é quase sempre algo especial, cheia de afeto e compreensão.
Significa rever e reformular o relacionamento que existe com os próprios filhos que neste momento se tornaram pais, estando ao mesmo tempo presente, mas ficando do lado. Significa reacender a lembrança daqueles que foram os seus próprios avós e entrar num novo caminho com os netos que crescem, propondo-lhes valores do passado, mas que eles transformaram e enriqueceram.
Falar dos nossos avós já não lembramos apenas de cabelos grisalhos, óculos, cadeira de balanço, muleta, contar e criar estórias. Mas sim de avós cheios de vitalidades para curtir, mais jovens, mais saudáveis e bem mais ativos. Mas isso não significa que perdeu o carinho e o amor que eles têm para com seus netos.
Qual criança não gosta de ouvir que vai passar o dia na casa dos avós?Isso faz lembrar que será cuidada com muita paciência, liberdade, afeto, amizade e muito carinho. Ainda se costuma dizer que os avós deseducam os netos, não se pode negar, há um pouco de verdade nesta afirmação, visto que eles não castigam, fazem a maioria das vontades, não dão broncas, mas por trás de tantos mimos (que as crianças adoram), eles também são conscientes da sua importância para formação das crianças. Eles já foram bastantes rígidos na educação dos filhos agora se permitem serem mais liberais o que é bem mais prazeroso.
O que fazer quando é chegado o momento de nos despedirmos dessa pessoa que aprendemos a amar? É bom lembrar que a dor da perda não pode ser aliviada, cada pessoa deve ser entendida em suas necessidades, com suas características e reações e que cada sujeito tem seu tempo singular para viver, elaborar e reorganizar-se psiquicamente após a perda. A morte não é muito aceita pelo adulto e mais difícil ainda falar dela para as crianças.
Quando a morte acontece, alguém que a criança tenha uma história de confiança e envolvimento deve contar para ela. Isso dá para a mesma uma segurança de que ela não está só e que há outras pessoas para proteger e cuidá-la. Essa informação deve ser dada imediatamente para criança, em uma linguagem simples e direta, como por exemplo: “Vovó morreu”.
É bom lembrarmos que o compromisso com a verdade auxilia bastante. Segundo o que nos ensina Maria Julia Kovács “é importante respeitar as reações, mas sem mascarar os fatos”. Esconder e inventar histórias sobre a morte para as crianças não é a melhor forma de evitar a tristeza ou a confusão ocasionada pela perda. Falar sobre morte ajuda a criança a compreender a perda dessa pessoa tão querida, assim como também é importante que ela tenha um espaço para exprimir seus sentimentos, seus desejos, deixando a critério dela, por exemplo, a ida ao velório.
Assim como os adultos a criança precisa enlutar-se para aceitar que a perda acorreu e continuar sua vida. A criança irá tomar o exemplo dos pais ou da pessoa mais próxima, por isso não tenha medo de expressar seu luto. Chore e deixe que a criança chore com você. Não peça para a criança não chorar, ser forte. Esta é uma situação triste e todos precisam expressar sua tristeza.
Autora: Bianca Queiroz

