Crônicas - Por Magno Vila

16/01/2008 19h01min

O bairro da Ribeira era palco de alagamentos sempre que chovia um pouco mais em Natal. Os mais antigos que o digam.

Certo dia, o meu querido Ir.: e amigo, Dr. Ernani da Silveira, então prefeito de Natal, me telefona pedindo para fazermos o sepultamento de um gari da Prefeitura que tinha sido atropelado por um caminhão, quando efetuava a limpeza das galerias fluviais, mais ou menos em frente à CAERN.

Tomei todas as providências e fui pessoalmente fazer o traslado do corpo para a cidade de Parnamirim, só que, devido ao estado em que o corpo estava, não podia ser velado, razão pela qual fomos direto para o cemitério.

Em lá chegando, Ernani perguntou aos colegas do falecido se alguém sabia onde ele residia. Uma pessoa se apresentou e Ernani incumbiu-me de avisar e trazer a viúva e familiares para assistir ao sepultamento. Quando chegamos à residência do falecido, avisei que ele tinha sofrido um acidente e que o prefeito de Natal estava chamando para ir ao hospital, pois a situação era muito difícil. Esperei mais ou menos 10 minutos até que a viúva trocasse de roupa.

A notícia logo se espalhou e, quando estávamos entrando no carro, para minha surpresa, de lá do começo da vila vem uma mulher gritando feito uma louca: “Essa rapariga não é a esposa dele, não. A esposa sou eu”. Virei-me surpreso para o colega do falecido e indaguei como pôde me colocar numa enrascada daquela. Ele me respondeu: “Dr., eu pensei que ele só tivesse uma mulher”. Voltei ao cemitério e entreguei o abacaxi (as duas mulheres) a Dr. Ernani.